Eu nunca havia viajado só, até o ano 2000.
Só que em 1999 eu e o Ercio nos separamos e eu não queria passar férias em São Paulo. Então me arrisquei a viajar sozinha. Claro que com excursão, porque totalmente só, era demais, né?
Então, em 2000 fui para a Chapada Diamantina - tipo de viagem que o Ercio não faria.
Comprei um pacote de oito dias e lá fui eu. Tudo esquematizado, inclusive o tipo de roupa e calçado que tinha que levar...
No aeroporto fui ao banheiro, um pouco antes de embarcar e quase fiquei trancada porque a fechadura estava quebrada. Me deu um desespero! Pensar que ninguém ia sentir minha falta, já que não conhecia ninguém que ia viajar comigo.
Mas, enfim saí - meio aflita, é verdade, mas animada para ir ao coração do Brasil!
Ficamos em uma pousada muito graciosa no interior da Bahia, na cidade de Lençóis e foi a primeira vez que eu vi cartão como chave para abrir a porta e depois ser colocado em um dispositivo para acionar a energia elétrica do quarto. Achei aquilo incrível, principalmente, porque a novidade estava num lugar onde eu jamais esperaria encontrá-la!
Nossa! Aquele lugar era demais. Estávamos em 14 pessoas na excursão: quatro casais e seis avulsos. Enfim, era um pessoal muito legal. Além dos 14, havia os dois guias. Um caminhava na frente do grupo e parecia ser o chefe do outro que ficava no final da fila. O primeiro era mais sério e compenetrado, sempre cuidando dos detalhes e dando as informações sobre o lugar. O último era brincalhão e "tomava conta" dos retardatários que eram os mais velhos e despreparados fisicamente. Tenho que dizer que estava entre esses últimos e era muito divertido!
Acho que era a segunda pessoa mais velha do grupo. Tinha uma senhora - que parecia ter ido em busca dos diamantes da chapada de tão chique que era, e que fez 60 anos durante a viagem... De resto, poucos passavam dos 40. Havia uma médica - que foi minha companheira de viagem - um rapaz que trabalhava com informática, professoras de pré escola, advogados. Enfim, gente das mais variadas áreas de trabalho. Mas, ali naquele lugar, houve uma integração tão grande que no fim, ficamos todos parecendo seres humanos...
É importante informar que esse tipo de viagem não é, definitivamente, para a segunda idade, quanto mais para a terceira!
Acordávamos às 6:00 horas da manhã e às 8:00 já estávamos com o pé na estrada, literamente. Caminhávamos a maior parte do tempo, a pé. Carregávamos mochilas com tomate, ovo cozido, uma maçã ou pera e um suco de caixinha que saía congelado da pousada, mas que na hora de tomar já estava quase quente!
Acreditem: aquilo era lazer!
Em um dos dias fomos à cachoeira da fumaça. Que lugar lindo!
Caminhamos a manhã toda até o topo de montanha. Ficamos cerca de três horas na região, sentados em pedras e comendo nossa "ração" diária, só admirando a paisagem. Como éramos poucos, havia momentos de silêncio absoluto. Só a natureza falava conosco!
Posso dizer que aquela foi a melhor semana de viagem da minha vida. Como tinha que me preocupar com cada passo que dava, pois havia muitas pedras no caminho, rios para atravessar, cachoeiras para explorar, não tinha tempo para pensar em nenhum problema ou preocupação, a não ser no que fazer "agora" para continuar inteira.
Ao chegarmos na pousada, tomávamos banho gelado, conforme nos foi recomendado, jantávamos e em seguida íamos dormir - isso por volta de 21:00 horas.
O banho gelado era para que os músculos não doessem no dia seguinte!
E a cada dia os caminhos eram mais longos e difíceis.
E a cada dia íamos nos sintonizando mais intensamente com a natureza, até sentirmos que éramos parte dela.
Estou emocionada só de lembrar! Nunca mais voltei para lá, só de medo de não ter a mesma sensação!
No penúltimo dia fomos até uma cidadezinha próxima e infelizmente, já estávamos nos preparando para o término da viagem. Chegamos perto do anoitecer a uma pousada que tinha uma piscina natural, feita de pedras. A água era hiper gelada, mas o lugar era demais! Havia lua cheia e um céu que deveria ter muito mais estrelas do que todas as que eu tinha visto até então!
Na pousada havia um rapaz que estudava as estrelas e era guia noturno de alguns turistas que gostavam dessa aventura. Naquela noite como ele não tinha nada para fazer, estava na pousada e nos convidou à casa dele, para nos ensinar o comportamento das estrelas. Apenas cinco de nós aceitaram o convite e passamos boa parte da noite olhando o céu e entendendo como as estrelas caminham durante a noite, do mesmo modo que o sol, durante o dia. Aquela experiência ainda vive em mim, como se fosse ontem!
Por isso sei que as viagens acabam, voltamos à nossa realidade, mas aquilo que aprendemos, vivemos, as pessoas que conhecemos, os lugares, as sensações... esses nunca nos abandonam!
Costumo dizer que fotos servem para que as outras pessoas possam vê-las - se tiverem interesse! Se nossa memória é boa, as fotos são desnecessárias e se a perdemos, as fotos são inúteis!
O melhor que fica é a impressão que conservamos de cada uma das viagens que fazemos.
Só para terminar, cheguei em São Paulo na sexta feira e, no sábado à tarde fui ao Center Norte, passear. Como era véspera do dia das mães, o Shopping estava muuuuuuuuuuuuuito cheio. Demorei um tempo para estacionar e, assim que entrei, senti uma grande opressão e precisei ir embora imediatamente. Naquele dia soube o que era síndrome do pânico, claustrofobia e outras dessas mazelas urbanas que todos temos eventualmente.
Prometo postar as fotos qualquer dia. Mas aviso que elas não representam um centésimo da paz que senti naquela viagem... Só conseguem revelar a beleza dos lugares!
Té mais!
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